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26/05/2007 19:35

O cançonetista brasileiro

Na enorme geléia geral da música popular brasileira, um personagem que teve destaques décadas atrás foi o “cançonetista”, o “chansonneur”, de acordo com a influência trazida por Maurice Chevalier.

Em um período em que os cantores americanos dominavam, de Frank Sinatra e Bing Crosby a Pat Boone e Elvis Presley, Chevalier era uma exceção admirável. Além disso, o grande ambiente artístico daqueles tempos eram os cassinos –fechados em 1946--, apropriados a esse tipo de “crooner”, que não apenas cantava como representava.

Nos cassinos de Poços, fez enorme sucesso Juan Daniel –pai do diretor Daniel Filho—que pegava o microfone e caminhava pelo salão de baile, cantando e jogando galanterias para os casais.

Não peguei esse período. Passei a ter noção maior das coisas lá por volta de 1958, aos oito anos de idade. E aí a referência absoluta de música era a rádio Nacional, e nosso “cançonetista” predileto era Ivon Cury. Meu pai comprava todos os 78 lançados por ele. Anos depois, Moacir Franco seria seu sucessor, inclusive trazendo pela primeira vez para o Brasil a “Balada de um Louco”, de Piazzola, no início dos anos 70.

Ivon nasceu em Caxambu e seguiu para o Rio junto com seu irmão Jorge Cury, na época o mais conhecido comentarista de futebol do rádio. No início trabalhou na Orquestra do Zacarias, que tocava no Copacabana Pálace. Em 1947 foi contratado pela rádio Nacional, onde viveu cerca de quinze anos de imenso prestígio.

Na época, a rádio Nacional atendia a todos os gostos. Seu famoso “cast” cobria todos os setores de público, de Francisco Carlos (o queridinho do público jovem), a Marlene e Emilinha, passando pelos melhores arranjadores nacionais de todos os tempos, liderados por Radamés Gnatalli. E, nela, Ivon Cury era o grande destaque.

Havia grandes cantores de sambas-canção e músicas estrangeiras, como Dick Farney e Lúcio Alves. Ivon tinha uma voz quase tão bonita quanto a de Dick, um aveludado que não chegava a transbordar, e uma enorme versatilidade musical.

Em seu repertório havia lugar para as canções francesas. "C'est Si Bon" e "La Vie en Rose", para o repertório de Chevalier e de Edith Piaf, e para inúmeras versões musicais. Esse fato fez com que não fosse completamente aceito nos templos da chamada música popular autêntica, o que contribuiu para que sua memória se diluísse no tempo.

No entanto, foi um notável intérprete dos mais variados tipos de música brasileira. Era muito engraçado interpretando músicas buliçosas nordestinas, como “Perfume Nacioná” (Zé Dantas), sambas canções da última fase, como “Amendoim Torradinho” (Henrique Beltrão), os sambas canções de Caymmi (“Sodade matadeira”, “Dora”, “Nunca Mais”, “Não Tem Solução”), toadas como e o “Xote das Meninas” (Luiz Gonzaga – Zé Dantas), que fez mais sucesso com ele do que com o próprio Luiz Gonzaga, a “Farinhada”, o ‘Xote Miudinho”, a valsa o “João Bobo” imenso sucesso de sua autoria ("João bobo, coitado, tolinho / Falava sozinho, sempre a caminhar/ Mas quando passava ao seu lado /A Rosa do prado, parava a olhar. / Rosinha era moça bonita / De seda ou de chita chamava atenção / A todos seu amor vendia / Mas nada queria c'o pobre do João... Ai, João bobo é gozado / Quer casar (ah ah ah) co'a Rosa do prado").

Luiz Vieira, o grande nome da toada e da guarânia teve em Ivon Cury o passaporte para o sucesso, através de inúmeras gravações, como o belíssimo “Vá Com Deus” (Álvaro Mattos/Luiz Vieira) e “Estrada de Columbandê” e o clássico “Menino de Braçanã”.

As qualidades histriônicas de Ivon, seus trejeitos, fizeram com que, paralelamente à carreira musical, fosse um dos pioneiros da televisão brasileira, participando do histórico “TV na Taba”, da Tupy, apresentado por Homero Silva, ao lado de artistas como Lima Duarte, Hebe Camargo, Mazzaropi, Lolita Rodrigues, Wilma Bentivegna, e a orquestra de George Henri, entre outros. Nos anos 60 ainda era um sucesso tão retumbante, que seu casamento com uma aeromoça de nome Ivana dominou os noticiários da época, assim como as perucas que passou a usar.

A rapaziada que o visse no final de carreira, fazendo ponta na “Escolinha do Professor Raimundo”, sem chance para cantar, jamais poderia imaginar a influência que suas canções tiveram sobre seus pais e avós.

Foi uma referência na canção e na televisão brasileiras.

Para incluir na lista Crönica Semanal

Enviado por: RENATO
NASSIF, bom dia.

Ivon Cury, bem como toda a família Cury é um marco em Caxambu e sul de Minas. Nasci em uma cidade a 60Km de Caxambu e conheço um pouco a famosa trajetória dos Curys.

Ivon é um exemplo da vitória da VIDA, da vitória sobre o Aborto. Sua mãe faleceu durante o parto, mas disse aos médicos, caso tenha que salvar alguém salve meu filho.

É triste e ao mesmo tempo emocionante, doar a vida ao irmão, ao filho.

Abraços,

enviada por Luis Nassif






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